Palestinos prometem levar à votação o reconhecimento de seu Estado na Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas, em articulação unilateral. Enquanto isso, o Governo de Israel se movimenta para barrar a discussão no fórum internacional e solicita que seus correligionários divulguem a posição do país no mundo a fora.
A Organização para a Libertação Palestina – OLP- reiterou que fará a discussão em setembro no fórum da ONU. O pleito dos palestinos é que a ONU reconheça seu Estado nas fronteiras antes da Guerra dos Seis Dias Arábico-Israelense de 1967, o que deixaria assentamentos judaicos fora de Israel. Estima-se que cerca de 300 mil colonos israelenses vivam na Cisjordânia.
O pedido será avaliado pelo Conselho de Segurança da ONU e depois segue para votação, em que os palestinos devem ter pelo menos dois terços dos votos da Assembleia Geral, que é constituída de 128 países. Mesmo em momento de campanha, os palestinos encontram dificuldades quanto à sustentação política do processo, pois forte aliado do governo Israelense e com grande articulação dentro da Assembleia da ONU, os Estados Unidos, que mantém o status ilegal de ocupação e domínio sobre os palestinos, podem usar o poder de veto para retirar a discussão da pauta.
Segundo o presidente da Federação Árabe Palestina do Brasil, Emir Mourad, as próprias resoluções da ONU, reconhecem o direito inalienável do povo palestino ao retorno e autodeterminação. Os refugiados palestinos, cadastrados pela ONU, somam mais de cinco milhões e pela própria resolução do fórum internacional, eles têm o direito ao retorno aos seus lares na Palestina de onde foram expulsos a partir de 1947 pelas milícias sionistas e que mais tarde resultou na criação do estado de Israel. Nessa época foram destruídas, varridas do mapa, mais de 500 aldeias e cidades palestinas.
"A ONU já emitiu várias resoluções onde Israel tem que se retirar dos territórios palestinos ocupados para que possa estabelecer seu estado independente e soberano. Estados Unidos e Israel e outras potências militares, mantém pela força das armas essa situação ilegal e criminosa", argumenta Emir.
Durante o lançamento da campanha pelo Estado Palestino no Brasil, o embaixador da Palestina no Brasil Ibrahim al-Zeben, demonstrou estar otimista com o momento palestino, após "Primavera Árabe", movimento que levou milhares de manifestantes às ruas no Oriente Médio por mudanças políticas e econômicas.
"Estamos melhor que antes, com a perspectiva de restaurar a unidade nacional e transformar a OLP, com o retorno do diálogo entre o Hamas e o Fatah. As massas disseram: chega de divisão e pediram a unidade nacional para já", disse Ibrahim durante ato em São Paulo.
Histórico
A briga entre palestinos e israelenses é antiga e frequentemente faz parte da pauta mundial. Isso se deve porque desde a proclamação do Estado de Israel, em 1947, quando a Organização das Nações Unidas recomendaram a partição da Palestina em um Estado Judeu, um Estado Árabe e uma administração direta das Nações Unidas em Jerusalém. A proposta foi aceita pelos israelenses, porém rejeitada pelos líderes árabes.
A Organização para Libertação da Palestina - OLP - é membro observador da ONU desde 1974. Tem embaixadas em mais de 120 países que reconhecem a OLP como única e legitima representante do povo palestino. No Brasil, desde 1979, a OLP tem seu escritório que foi aumentando de status e hoje atua praticamente como uma embaixada no país.
Fonte: O Estado RJ
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Brasil apoia palestinos na ONU e irrita Israel
Comunicado a Abbas por Lula, voto brasileiro a favor do reconhecimento internacional é festejado em Ramallah; israelenses tentam 'conter danos'
24 de julho de 2011
Roberto Simon - O Estado de S.Paulo
O governo Dilma Rousseff já se decidiu: em setembro, quando a Autoridade Palestina pedir para se tornar o 194.º país-membro da ONU, terá o voto brasileiro. A garantia de apoio foi passada ao presidente palestino, Mahmoud Abbas, por um mensageiro especial de Dilma, Luiz Inácio Lula da Silva, há menos de um mês. Lula prontificou-se ainda a pessoalmente ajudar Ramallah a conquistar votos de países em desenvolvimento.
Israel, do outro lado, tenta agora uma ofensiva para "contenção de danos". Dois integrantes do primeiro escalão do governo estão a caminho do Brasil. Um deles, Moshe Yaalon, vice do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu (mais informações na página A19), solicitou um encontro com Dilma - que deverá ser recusado pelo Planalto.
Os israelenses sabem que ao final não conseguirão reverter a decisão brasileira, mas querem evitar que Brasília "puxe votos" contra Israel.
"O objetivo do Brasil é ajudar a criar um fato político que empurre israelenses e palestinos para uma negociação direta. Do jeito que está, o conflito tende a se eternizar", explicou ao Estado o assessor para Assuntos Internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia. "A questão palestino-israelense é o foco de desestabilização do Oriente Médio", defendeu Garcia.
Em entrevista no último domingo ao Estado, o chanceler Antonio Patriota havia indicado que o Brasil "não terá dificuldades em votar a favor" do reconhecimento do Estado palestino pelas Nações Unidas.
Dilma discursará na sessão anual da Assembleia-Geral da ONU, quando virá à baila a questão. Ela será a primeira a subir à tribuna em Nova York, conforme a tradição que, desde 1947, reserva ao Brasil a abertura dos discursos de chefes de Estado, ministros e demais autoridades nacionais na plenária.
O reconhecimento dos palestinos pela ONU, porém, deverá passar ainda pelo Conselho de Segurança, onde provavelmente acabará vetado pelos EUA.
Fonte: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110724/not_imp749153,0.php
Folha de Sao Paulo - TENDÊNCIAS/DEBATES
EMIR MOURAD
O fato de Israel ter vencido guerras não o faz regulador de normas internacionais nem exime o país das infrações cometidas perante as leis.
A questão fundamental para a solução do conflito entre palestinos e israelenses é reconhecer que os países-membros da ONU possuem direitos e deveres que regulam a convivência civilizada entre nações, Estados, governos e povos.
Israel, dentre diversas resoluções do Conselho de Segurança e da Assembléia Geral, acatou, até hoje, uma só resolução: a que aceitou Israel como membro da ONU!
A Palestina existe de fato antes de Israel ser criado em maio de 1948: uma cultura milenar, um povo organizado na cidade e no campo, em maioria árabe muçulmana e cristã, com minoria judaica, todos pertencentes à sociedade palestina, com instituições sociais, industriais, educacionais, faltando só o reconhecimento de direito para estabelecer seu Estado independente. O estabelecimento do Estado da Palestina é questão de direito!
Vez ou outra nos deparamos com opiniões "desinformadas" sobre a demografia da época do mandato britânico sobre a Palestina, tais como "o território que a ONU destinou aos judeus já continha maciça maioria judaica".
Nos dados da ONU consta que, em dez dos 16 subdistritos administrativos, a população palestina perfazia mais de 82% do total da população. A Comissão de Inquérito Britânico-Americana, em 1945 e 1946, apresentou relatório com os dados de 1,269 milhão (67,6%) de árabes palestinos e 608 mil judeus residentes dentro das fronteiras do mandato da Palestina.
Sobre as guerras ocorridas em 1948, 1967 e 1973, todas as resoluções da ONU se referem às ações da "potência ocupante", Israel, e à ilegalidade de ocupar, colonizar e anexar territórios pela força militar.
Além da responsabilidade histórica de Israel pela expulsão dos refugiados palestinos.
Quanto aos judeus que foram expulsos de países árabes, eles obtiveram a cidadania israelense e deixaram de ostentar o direito de reivindicar qualquer status de refugiados, diferentemente dos refugiados palestinos, que hoje somam quase 5 milhões e são reconhecidos como refugiados segundo o estatuto da ONU e o direito internacional.
O conflito tem proporções internacionais, já que foi criado pela própria ONU e pelas intervenções de várias potências, em decorrência de seus interesses econômicos na região do Oriente Médio.
O fato de Israel ter vencido guerras não o faz regulador de normas e leis internacionais nem o exime de infrações cometidas perante a lei!
Em julho de 2004, a Corte Internacional de Justiça proferiu uma sentença, por 14 votos a um, declarando ilegal e pedindo a demolição do muro que Israel construiu nos territórios ocupados.
A representante do Brasil na ONU, embaixadora Maria Viotti, em seu relato sobre a questão palestina, declarou, em 21 de abril de 2011: "As atividades de assentamento na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental são ilegais e um obstáculo à paz".
Os palestinos, em setembro próximo, vão pedir que o Estado da Palestina seja reconhecido como membro das Nações Unidas, tal como Israel o foi em 1949. Se Israel continuar negando esse direito aos palestinos, estará negando a razão de sua própria existência!
EMIR MOURAD, engenheiro civil, é diretor da Federação Árabe Palestina do Brasil.
Exército prepara-se para possíveis mobilizações na próxima semana, quando palestinos devem pedir reconhecimento de Estado
O Exército israelense aumentou seu nível de alerta e mobilizou unidades de reserva para reforçar suas tropas na Cisjordânia, preparando-se para possíveis revoltas palestinas na próxima semana após o pedido de reconhecimento de Estado à ONU.
Palestinos participam de manifestação anti-EUA em Ramallah, na Cisjordânia, em 15 de setembro de 2011O Comando Central do Exército pôs comandantes de prontidão na Cisjordânia e convocou três batalhões de reservistas adicionais, 1,5 mil homens, na última semana para aumentar sua presença nesse território palestino ocupado, informou o serviço de notícias "Ynet". Israel também mantém unidades em alerta para se for declarado o estado de emergência. O mesmo acontece com unidades de reserva do Comando Sul, que podem ter de reforçar a fronteira com o Egito.
As tropas que estão sendo desdobradas na Cisjordânia foram treinadas para o uso de equipamentos de dispersão para fazer frente aos manifestantes. O Exército também reforçou a presença ao redor das colônias judaicas para proteger as localidades e para evitar ataques de colonos extremistas contra palestinos, algo frequente nas últimas semanas, incluindo incêndios em mesquitas. Além disso, civis residentes nas colônias judaicas em território palestino foram treinados para a possibilidade de os protestos se tornarem violentos.
Os dirigentes palestinos asseguraram que serão pacíficas as manifestações que darão apoio à solicitação do reconhecimento de um Estado palestino como membro de pleno direito na ONU. O presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmud Abbas, deve apresentar seu pedido à ONU após seu discurso na Assembleia Geral, no dia 23. Os preparativos de Israel ocorrem enquanto EUA e União Europeia tentam nos bastidores dissuadir os palestinos de levar a medida adiante.
Pedido de adesão
Na quinta-feira, o ministro palestino das Relações Exteriores, Riyad al-Malki, confirmou que, em seu discurso, Abbas defenderá a aceitação de um Estado palestino como membro pleno da organização multilateral com as fronteiras anteriores à Guerra dos Seis Dias de 1967. "O presidente apresentará a solicitação às 12h30 (13h30 em Brasília), exceto no caso de uma proposta crível para a retomada das negociações", disse, em referência aos contatos em curso entre EUA e países europeus.
Obter o reconhecimento como Estado é importante para os palestinos porque abriria as portas ao comparecimento a organismos internacionais, como o Tribunal Penal Internacional de Haia, onde poderiam denunciar as consequências da ocupação de seus territórios e as violações de direitos humanos cometidas contra sua população. Os palestinos também poderiam assinar tratados multilaterais e, segundo eles, o reconhecimento melhoraria sua posição para negociador com Israel.
Na terça-feira, um membro da Liga Árabe disse que os palestinos pensavam em buscar o reconhecimento da ONU como Estado por meio da Assembleia-Geral, e não pelo Conselho de Segurança. Como uma maioria de dois terços indica ser favorável à medida na Assembleia-Geral, os palestinos obteriam uma vitória na votação e garantiriam um embaraço a Israel. A vitória, porém, seria limitada, porque o reconhecimento seria apenas como Estado não-membro, sem direito a voto.
Neste sexta-feira, porém, o presidente Mahmud Abbas disse que os palestinos pedirão a adesão total, com direito a voto, que só pode ser conferida pelo Conselho de Segurança (composto por 15 membros, dos quais cinco com poder de veto). Recorrer ao órgão coloca os EUA na desconfortável posição de vetar o esforço palestino, causando danos na diplomacia americana no mundo árabe.
Nesta sexta-feira, uma publicação da China, que também tem poder de veto no órgão da ONU, advertiu que haverá aumento da tensão no Oriente Médio se os EUA não apoiarem a iniciativa palestina. "A comunidade internacional, de forma majoritária, acredita que ter um Estado independente é um direito inalienável dos palestinos. Se os EUA optarem por desafiar a opinião pública mundial, não apenas Israel ficará ainda mais isolado, como as tensões na região aumentarão mais", afirmou um editorial do jornal China Daily.
Nesta semana, em um artigo publicado no New York Times, o príncipe saudita Turki Faisal afirmou que a posição americana só reduz ainda mais o decadente prestígio regional dos EUA. Para ele, o veto americano enfraqueceria a segurança israelense e fortaleceria o Irã, que a comunidade internacional suspeita desenvolver um programa de armas nucleares. Por conta disse, alerta Faisal, a Arábia Saudita não poderá continuar sendo um forte aliado americano.
Canecas elaboradas como parte da campanha de promoção de um Estado palestino são vendidas em loja de Gaza
A tentativa dos palestinos de obter o reconhecimento de um Estado ocorre em meio aos levantes conhecidos como Primavera Árabe, que puseram fim aos regimes autocráticos de longa data da Tunísia, Egito e Líbia e vêm mudando a dinâmica da região.
Israel, que antes tinha um aliado no líder deposto egípcio Hosni Mubarak, atualmente vê suas relações com Cairo estremecidas, com os líderes da junta militar sob pressão popular para pôr fim ao acordo de paz de 1979. Na quinta-feira, O primeiro-ministro egípcio, Essam Sharaf, chegou a afirmar que o tratado de paz com Israel não é "sagrado", e pode ser alterado pelo bem da paz na região.
Além disso, a Turquia, um aliado estratégico, adotaram um afastamento após o Estado judeu se recusar a pedir desculpas pela morte de oito ativistas turcos e um turco-americano durante uma ofensiva isralense contra um navio com ajuda humanitária que se dirigia à Faixa de Gaza em maio de 2010. O incidente da flotilha e o desejo da Turquia de ampliar sua influência no Oriente Médio e no mundo árabe poderiam afetar dramaticamente a dinâmica de poder na região.
*Com EFE, AFP e informações de Nahum Sirotsky, de Israel
fonte: http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/israel+mobiliza+reforcos+contra+marchas+por+adesao+palestina+a+onu/n1597213078892.html